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Pulsão

Ainda na dualidade pulsão de autopreservação e pulsão sexual, na obra “As pulsões e seus destinos”, de 1915, Freud realiza uma síntese de suas ideias acerca da pulsão. Descrita em essência como força constante [Konstant Kraft], conforme Freud (1915a/2010), a pulsão é um representante psíquico de um estímulo proveniente do corpo que atinge a alma, que aparece na fronteira entre o somático e o psíquico.

 

Todavia, diferente do instinto, não há um destino pré-estabelecido, nem fixado pela herança genética e tampouco por padrões de comportamento direcionados a objetivos específicos. Lacan (1966/ 1998), a respeito da pulsão, adverte: Elas sempre despontam. Isto é, há nas pulsões, um caráter irreprimível que pode ser pensado, inclusive, a partir do recalque, cuja existência denuncia que existe algo (pulsão) que provoca sua ação.

Freud (1915a/2010) aborda os seguintes componentes da pulsão: Pressão [Drang]; Meta [Ziel]; Objeto [Objekt]; e, Fonte [Quelle]. A pressão reflete a força constante, ininterrupta, exigindo trabalho psíquico. A meta envolve a satisfação que pode ser buscada pela supressão da estimulação na fonte da pulsão. O objeto é o componente mais variável da pulsão e aquele com o qual a pulsão intenciona atingir sua meta. A fonte é definida como o processo somático que ocorre em um órgão ou parte do corpo, cujo estímulo é representado no psiquismo pela pulsão.

 

Os temas abordados, não constituem o único cerne do trabalho de Freud (1915a/2010). Há também uma preocupação com o momento narcisista na obra de 1915a. Entre os quatro destinos da pulsão apontados pelo autor, encontram-se:  transformação em seu contrário; voltar-se contra a própria pessoa ou retorno do eu;  recalque; sublimação.  

Destaca-se que a transformação em seu contrário aponta a conversão da meta da pulsão que transita da atividade para a passividade através dos pares de opostos sadismo-masoquismo e voyeurismo-exibicionismo. Uma outra forma de transformação em seu contrário é a inversão de conteúdo que ocorre na transformação de amor em ódio – sendo comum a ocorrência dos dois dirigidos para o mesmo objeto.

 

Segundo Freud (1915a/2010), o ódio enquanto relação com objetos, é mais antigo que o amor. Decorre do repúdio primordial do eu narcisista ao mundo exterior. A volta contra a própria pessoa é considerada pela compreensão de que o masoquismo é um sadismo voltado contra o eu e o exibicionismo inclui a contemplação do próprio corpo, e envolve a variabilidade de pulsões que para se voltarem contra o próprio eu e se converterem de ativo para passivo dependem da organização narcísica.  

 

REFERÊNCIAS:

FREUD, S. Os Instintos e seus destinos (1915a). In: Obras completas – Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916). São Paulo: Companhia das Letras, 2010. v.12.

LACAN, J. Escritos (1966). Rio de Janeiro: Zahar, 1998.

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